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Artigo : Ora Eça...
Data : 6/10/2008
Por Nara Vargas*
De repente, a prefeitura de Porto Velho se tornou um governo demasiadamente grande para os pequenos problemas e demasiadamente pequeno para os grandes problemas, com a vinda das Hidrelétricas, e aí, não tem olho que não cresça.
No país que ainda impera a lei de Gerson, aquela em que todo mundo quer levar vantagem, Porto Velho de repente passou a ser para muitos, a possibilidade de crescimento político e pessoal. Administrar uma prefeitura por onde vão passar alguns milhares de reais, algumas boas vantagens (para o município) com as contrapartidas que devem vir das empresas construtoras, cresce o olho de qualquer um.
Mas o momento político foi sem dúvida favorável à reeleição de Roberto Sobrinho, com apoio incondicional do Partido dos Trabalhadores, cujo maior líder, por acaso é o presidente do país. As campanhas para o voto consciente, também foram responsáveis por muitas escolhas. Votos que foram muito bem analisados para que não caíssem no conto de muito vigários. Basta ver os números. Teve candidato que teve menos voto que alguns vereadores. Candidatos até populares, já conhecidos de outras eleições, mas que acabaram com votações medíocres. Candidatos muito competentes, aqueles que competem, competem e nunca ganham. Candidatos que cresceram e apareceram, talvez promessas paras as próximas.
E estão aí, mais 4 anos. É bom lembrar que credores têm melhor memória que devedores, portanto, é só manter a vigilância, para que se cumpra pelo menos parte do que foi dito em campanha e também não custa nada lembrar Kennedy em sua célebre frase, “Não pergunte o que seu país pode fazer por você, e sim o que você pode fazer por ele”. Tomara que cada munícipe tome as rédeas dos seus compromissos enquanto cidadãos, fazendo cada um a sua parte, no seu terreno, na sua rua, no seu bairro. É fácil dizer o que a prefeitura ainda não fez no seu bairro, enquanto que muitas das vezes, nem da sua própria calçada você cuida.
Não vou aqui bater em cachorro morto, pelo contrário, vou elogiar e muito a postura dos eleitores de Porto Velho, uma gente formada na maioria por várias origens, mas que cresceu muito intelectualmente e não se deixou enganar pelos candidatos que tentaram a todo custo desonrar gente que trabalha. Como disse um dia, o grande Eça de Queirós, um dos maiores escritores portugueses, “Por um gesto julgamos um caráter; por um caráter julgamos um povo”. E só por isso, os mais de 119 mil moradores da capital estão de parabéns, mostraram que a grandeza de cada um está realmente medida também pelo caráter, não dando oportunidade para os que pretendiam levar a capital na base da chacota, achando que paternidade é tudo. Sobrinhos também fazem a diferença, e que diferença. Ora Eça...
* Jornalista e professora