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Artigo : Democracia à Brasileira
Data : 25/10/2008
Em 1894 tomou posse Prudente de Morais, como primeiro presidente eleito da República, numa estranha eleição, onde o candidato oficial era o único concorrente.
- Nos cem anos que seguiram, a democracia no Brasil foi interrompida por dois grandes períodos de ditaduras, e, perturbada por tentativas de golpes de estado, dezenas de casuísmos eleitorais e oito diferentes constituições.
Tumultos
A morte de Tancredo Neves, no dia da sua posse, a eleição, e o impeachment de Fernando Collor; e, a eleição de Luiz Inácio da Silva, são os últimos lances da tumultuada história da democracia no Brasil.
- A tentativa de consolidação de um governo do povo, pelo povo e para o povo, passa por uma questão fundamental: quem é, afinal, o povo?
Em nome do povo...
O monopólio das grandes redes de televisão, principais produtores do imaginário nacional, e o difícil acesso às manifestações populares e regionais, numa sociedade de forte tendência centralizante, e, culturalmente, colonizada, turvam a visão possível do que poderia ser o povo brasileiro. O fato é,que, em nome do povo, sucessivos governos pouco têm feito para resolver a gigantesca dívida social, ou, mesmo, para reverter a crescente concentração de riqueza nacional que nos levou à posição de pior distribuição de renda do planeta.
Eleições & Televisão
Nos últimos dez anos, desde a promulgação da atual Constituição Federal, houve nada menos que oito processos eleitorais no país. Ou mesmo dez, considerando que alguns foram realizados em dois turnos.
Nos períodos pré-eleitorais, a legislação brasileira permite aos partidos políticos o acesso gratuito às redes de televisão e rádio. São raros momentos de diversidade numa programação televisiva (hilária) que, embora apresente alto nível técnico e artístico, é marcada pela conformidade com padrões (políticos, estéticos, éticos, morais, narrativos, etc.) estabelecidos por um complexo sistema de interesses.
Por outro lado,
a inflação de eleições já referida, conjugada a uma inflação de partidos políticos (são mais de 40 registrados, todos com direito a lançar candidatos, e conseqüentemente com acesso às redes de TV e rádio), e mais, uma verdadeira inflação de candidatos, exacerbam a diversidade a ponto de constituir uma experiência única.
Políticos e políticos
Radicais de todas as tendências, inclusive os neoliberais, corruptos notórios, políticos sérios e malucos diversos, dividem, a cada nova eleição, e por três meses, o espaço eleitoral gratuito na televisão e no rádio.
- Somente nesta última eleição, foram dezenas de milhares de candidatos a vender - seus rostos, suas vozes, suas idéias, suas propostas, suas biografias, suas idiossincrasias, seus tiques nervosos e suas esperanças pessoais de serem eleitos a mais de cem milhões de eleitores pelo país.
Leis. Que leis?
As leis que regulamentam o acesso ao espaço eleitoral gratuito sofrem modificações a cada eleição, conforme os interesses da eventual maioria no Congresso Nacional.
- Esta programação se tornou, nos últimos anos, um excelente registro da política nacional. Até porque nestes programas, como era de se esperar, é marcante a presença do povo e dos que falam em seu nome.
Moral
da história
A dificuldade de acesso à programação das redes, e, a quase falência da indústria audiovisual independente, no país, levaram muitos cineastas brasileiros, a trabalhar para os partidos políticos.
- O espaço eleitoral passou a ser, para alguns realizadores, o único canal de expressão audiovisual.
- E um dos únicos espaços onde a imagem do povo brasileiro foi registrada fora das crônicas policiais, e das enquetes dos telejornais.
Para refletir
- Hoje é o Dia da Democracia.
- VAMOS COMEMORAR ? !