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Artigo : Rim por rim,
Data : 21/11/2008
Em “Rim por rim”, livro-reportagem sobre o tráfico de órgãos humanos no Brasil, Julio Ludemir mostra vendedores de rins de bairros sem infra-estrutura de Recife e como alguns deles acabam recrutando, a sangue-frio, seus próprios parentes em troca de uma recompensa da cúpula do tráfico.
- O autor encontrou os circuitos ativos de comércio de tecidos e órgãos que reciclavam corpos humanos por valores que variavam de irrisórios a sublimes.
A pesquisa
Ludemir chegou a isso seguindo os rastros de doentes dispostos a comprar, vendedores ocasionais, traficantes internacionais, técnicos em hematologia, operadores de bancos de órgãos e tecidos, cirurgiões sem projeção e ética, e outros profissionais ligados a viagens, que são os que costumam operar o “turismo dos transplantes”.
- O resultado desse trabalho está em RIM POR RIM, que acaba de sair da gráfica da Editora Record.
Pânico
Depois de “No coração do comando”, em que explora o sistema carcerário, e de “Sorria, você está na Rocinha”, sobre as armadilhas que mantêm a miséria nos morros cariocas, o jornalista pernambucano Julio Ludemir faz um novo mergulho no submundo. Dessa vez para revelar o horror do tráfico internacional de órgãos humanos, que tem sólidas ramificações no Brasil.
- Em RIM POR RIM, Ludemir prova que o suposto mito urbano está mais próximo da realidade do que se supõe.
O tráfico internacional
RIM POR RIM relata uma história que começa na África do Sul, passa por Israel e termina em Recife, uma das maiores capitais da complexa e carente região Nordeste do Brasil. Esta foi a conexão geográfica para a prática de uma das mais reveladoras perversões pós-modernas, desbaratada no fim de 2003.
- A reportagem, que ouviu todos os atores envolvidos na trama macabra, é uma tentativa de entender o drama, a ilusão, e - por que não? - o cinismo que movem o tráfico de órgãos humanos.
Teatral
Estão espremidos nas mesmas páginas atores de diferentes origens sociais e áreas do planeta. De um lado, pernambucanos miseráveis, dispostos a trocar uma parte do próprio corpo pelo desejo de consumir celulares e roupas de marca exibidos nas vitrines do Shopping Center Recife, templo do consumo da cidade.
- De outro, estão doentes renais crônicos, dispostos a usar todos os recursos para comprar um órgão que, a um só tempo, lhes devolva a saúde e a juventude.
Máfia israelense
Entre os dois extremos, está a onipresente e próspera máfia que fez uso do sistema de saúde israelense, para promover esse ultrajante comércio, ilegal no Brasil e na África do Sul, mas tolerado em Israel.
A pesquisa
Ludemir encontrou os circuitos ativos de comércio de tecidos e órgãos que reciclavam corpos humanos por valores que variavam de irrisórios a sublimes. Refez os caminhos das investigações policiais, o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito e o processo judicial que levou vários dos responsáveis à prisão.
- E, Ludemir os seguiu também lá, na prisão, onde os entrevistou.
Para pensar (muito)
“RIM POR RIM é um livro fundamental para o entendimento de questões que envolvem doação de órgãos, transplantes, filas de espera por anos, durante os quais o índice de mortalidade é muito grande, e a corrupção presente em diversos níveis do sistema de saúde, promovendo o crime”.
- É um grito de alerta contra a banalização do ser humano e a transformação da enfermidade e sofrimento de milhares de pessoas em mero lucro.
Mérito
Julio Ludemir nasceu no Rio de Janeiro, em 1960, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Tem a alegria de ser rubro-negro e a capacidade de fazer filhos lindos, de que Pablo e Juliana são provas irrefutáveis. É autor de No coração do Comando, Sorria, você está na Rocinha, Lembrancinha do Adeus, e O bandido da Chacrete, além da novela infanto-juvenil “Mais um pai”.