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O Crescimento de Porto Velho e o Uso da Energia Elétrica

Data : 2/9/2009


Por: Evaldo Maia* 
 
Porto Velho cresce a olhos vistos, fato este que pode ser notado diante das inúmeras construções que se espalham por toda a cidade, um verdadeiro canteiro de obras.  É claro que deve existir uma preocupação das autoridades em ordenar todo este desenvolvimento ou podemos reviver épocas passadas, como a que aconteceu nas décadas de 70, 80 e início da década de 90, onde o fluxo migratório atingiu números assustadores e as autoridades não tinham o planejamento necessário para acompanhar o desenvolvimento, isto é, a infra-estrutura necessária, tal como geração de energia, redes de distribuição elétrica, água, esgoto, etc. O resultado na época foi um caos principalmente no sistema elétrico em todo o Estado de Rondônia, chegando os nossos índices de DEC -  Duração Equivalente de Interrupção ao Consumidor e FEC – Freqüência Equivalente de Interrupção ao Consumidor, índices estes que na prática dizem o tanto de interrupções e a freqüência destas interrupções, de uma forma equivalente, chegaram a valores inadmissíveis mesmo para os parâmetros utilizados na época. Para se ter uma idéia de valores, enquanto no sul/sudeste se trabalhava para diminuir estes índices para valores abaixo de 5, os nossos índices estavam em torno de 200 a 250. Isto significava várias horas de interrupção, várias interrupções diárias e racionamento de energia, chegando-se a fazer rodízios com interrupções de até 6 horas contínuas do fornecimento de energia. 
 
Lembranças estas que já ficaram no passado, mas que temos que ficar atentos para não deixar tais fatos se repetirem. Nossas metas hoje já não é mais acabar com os racionamentos. Elas agora se concentram em como usar a energia elétrica de forma mais racional possível e cobrar uma melhor qualidade das concessionárias, tais como níveis de tensão, melhor distribuição, etc. 
 

Diante deste quadro atual de desenvolvimento, percebemos que a cidade está se verticalizando, o que é uma tendência natural, até porque para o Poder Público fica mais fácil para a prestação dos serviços essenciais como coleta de lixo, iluminação pública, dentre outros. Mas, o que nos tem chamado a atenção é o fato dos engenheiros e arquitetos, em alguns casos, deixarem sempre a alimentação elétrica dos prédios para depois. Isto é um erro porque depois de tudo projetado e construído, a concessionária fica sem opção para atender o cliente, tendo muitas vezes que instalar transformadores em postes na rua, tornando o visual da cidade mais poluído e mais vulnerável, sendo que o correto seria destinar um espaço dentro da construção para instalar a estação rebaixadora de tensão. 
 
Atualmente, com as novas tecnologias disponíveis no mercado, pode-se instalar transformadores a seco dentro das construções, com isolamento em resina epóxi, por exemplo, os quais não necessitam de óleo isolante, o que diminui os riscos de acidentes e  tem a vantagem de ocupar espaços cada vez menores. 
 
Concluindo, podemos dizer que é necessário uma campanha de esclarecimento, tanto da CERON quanto do CREA/RO, SENGE e SINDUSCON e ainda uma postura da Prefeitura Municipal, pois trata-se de assunto de interesse de todos os munícipes o fator segurança, poluição visual e regulamentação. Se Porto Velho está crescendo, nós engenheiros temos obrigação de planejar, projetar e executar as obras que irão dar suporte a este desenvolvimento para que não se repita os erros do passado.
 
[i]   * Evaldo Maia – é Eng. Eletricista formado pelo CEFET/MG e bacharel em Direito pela UNIR, ex-funcionário da CERON e hoje proprietário da 3A Engenharia-Materiais Elétricos.  Contato: evaldomaia@osite.com.br ou www.3aengenharia.com

Autor : Evaldo Maia   Fonte : Evaldo Maia
COMENTÁRIOS ENVIADOS PELOS INTERNAUTAS
Nome: Wagner

Comentário : Caro articulista, permita-me usar dois trechos dos seu artigo:[...] "cobrar uma melhor qualidade das concessionárias, tais como níveis de tensão, melhor distribuição, etc.; e,
"podemos dizer que é necessário uma campanha de esclarecimento, tanto da CERON quanto do CREA/RO, SENGE e SINDUSCON e ainda uma postura da Prefeitura Municipal".
Uma questão exageradamente descarada é a presença nociva e crescente de um movimento ocupacional de áreas consideradas equipamento de domínio público (espaço que deve ser usado para construção de áreas de lazer ou outros, de cunho social). O que acontece na prática é a falta de postura séria do mandatário do executivo municipal em adotar medidas que coibam esse comportamento nocivo e banalizado.
É clara a finalidade do uso comercial (especulação imobiliária) por aqueles que estão ocupando essas áreas. Esse fenômeno especulativo, exploratório tem recebido o aval da omissão do Prefeito Roberto Sobrinho e do Secretário de Planejamento de Porto Velho.
Nessa onda desgovernada de favelização, aumentam o uso dos famosos "rabichos" de energia (furto) e nada se faz quanto ao controle dos níveis de tensão, melhor distribuição, etc., ações estas que deveriam ter como origem as autoridades que representam o cidadão nas suas posições de mando. A exemplo disso, veja-se o procedimento registrado no MPRO, sob o número 2008001060011101.

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