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Coluna : Lúcifer – o portador da Luz
Data : 3/2/2010
Lúcifer (em hebraico, heilel ben-shachar; em grego na Septuaginta, heosphoros) representa a estrela da manhã (a estrela matutina), a estrela D´Alva, o planeta Vênus, o Portador da Luz, mas também foi o nome dado ao anjo caído, da ordem dos Querubins, como descrito no texto bíblico do livro de Ezequiel, no capítulo 28.
A primeira citação atribuída a Deus na bíblia cristã é: “Faça-se a Luz”. Em seguida, segue-se a constatação: E a Luz se fez! As escolas de sabedoria e as congregações esotéricas sabem, desde os primórdios, que Lúcifer é a primeira e maior creação (crear é dar vida; criar é pastorear) de Deus. A tradição hebraica nos mostra que as hostes angelicais têm em Lúcifer o protótipo da perfeição e absoluta devoção ao Pai. Nenhuma creatura no Universo é tão sublime quanto o primogênito de Deus.
Para entendermos a verdadeira história da creação, temos que buscar nossas origens e seguir os passos evolutivos que nos trouxeram até o momentum atual. Deus, ao nos crear, fez-nos à Sua imagem e semelhança, porém, sendo Deus Creador e não creatura, não possui forma, não possui imagem física, sequer se manifesta diretamente no plano físico onde nos encontramos, Deus somente pode ser entendido como Supra-Inteligência. A imagem e semelhança a que se referem os iniciados de todos os tempos é a sabedoria Divina que nos foi repassada pelo Pai.
Deus, ao nos crear, fez-nos seres de luz perfeitos (Espíritos imortais) e conhecedores de todas as coisas do Universo. Deu-nos a sabedoria, porém, somente a em teoria... Sabíamos tudo do Universo, mas não tínhamos como por tal sabedoria em prática. Viemos evoluindo por incontável tempo e não-tempo, passando pelas primeira e segunda dimensões, como Espíritos gregários, até que chegamos ao limiar da individuação.
Neste ponto, ao estarmos aptos a vivenciar a dualidade como Espíritos individuais, Deus incumbiu Seu primogênito, Sua máxima creação, a absoluta perfeição creada, para deixar dobrar sobre si o oposto ao Amor, o contraponto energético que é o Medo! Deus, a fim de proporcionar a nós Espíritos em evolução palcos para experimentação de toda a sabedoria Universal, Gerou a dualidade composta pelas terceira e quarta dimensões que, casadas, e tendo os opostos: Amor (Deus) e Medo (Lúcifer) como a base evolutiva por que passamos atualmente. Na sabedoria hinduísta, Brahma (Deus creador) deu início à Samsara (Roda da encarnação).
Por ser absolutamente devoto a Deus, Lúcifer aceitou a missão de deixar dobrar sobre si o oposto à luz, a escuridão. O “Portador da Luz” passou a ser o suporte ao plano evolutivo dual. Nenhuma outra creatura senão um Ser de tal magnitude poderia suportar tamanha missão.
A interpretação abaixo é geralmente atribuída a São Jerônimo, que ao traduzir a Vulgata confundiu Lúcifer ao anjo caído, a serpente tentadora das religiões antigas, embora antes dele esta interpretação não existisse. Oficialmente a Igreja não atribui a Lúcifer o papel de Diabo, mas apenas o estado de "caído" (Petavius, De Angelis, III, iii, 4). Muitos estudiosos afirmam que não existe fundamentação bíblica para identificar Lúcifer como o Satã tentador. Esta confusão com Satã foi ocasionada por uma má interpretação de Isaías 14:12-15: "Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao (Seol) inferno, ao mais profundo do abismo.".
O vulgo (o que vive na superfície, na periferia do conhecimento) costuma deixar-se levar por interpretações errôneas e mesmo maliciosas, pois se compraz como bombástico, com o espantoso. Todo aquele que busca a verdade e não se deixa guiar por opiniões estreitas e preconceituosas (como a citada no parágrafo acima) certamente verá que a dualidade, este plano evolutivo que nos permite a experimentação, que nos possibilita o exercício da sabedoria, somente poderia ser possível mediante a entrega incondicional de um Ser perfeito como Lúcifer, aos planos do Pai.
Assim como seus “filhos” (ódio, pecado, culpa, dívida, ressentimento, egocentrismo, orgulho, etc.), o Medo não passa de uma idéia, uma mera ilusão no plano abstrato e não tem energia própria. Muitos são os que perceberam esta faceta e fazem dela apenas uma alavanca evolutiva.
Incontáveis grupos esotéricos praticam, de forma variada, de acordo com suas bases, exercícios de desapego e de contemplação do Medo, não como forma de desafio, mas antes como meio de entendimento e aceitação deste plano existencial em que nos encontramos, a dualidade, pois somente assim poderemos dar o passo seguinte no processo evolutivo, o salto quântico, que todos nós Creaturas, hoje na condição Hominal almejamos, que é o ascensionamento para a condição Crística.
Reafirmo aqui o que tenho exaustivamente dito em colunas anteriores: o ponto de desencontro entre os esotéricos e os vulgos (leigos) não reside na forma, mas no uso. O Medo não pode ser usado para fins materiais nem de poder. Não pode se tornar uma instituição como aconteceu, mas antes, a ferramenta complementar de evolução e progresso a que foi instituído. O Supremo (A Supra-Inteligência) que nos creou, produziu a dualidade a fim de nos permitir evoluir e não servir de meio escravagista, a quem quer que seja nem mesmo a Ele, pois O Incriado, O Inenarrável, O Incognoscível não precisa de escravos, de serviçais e nem de seguidores, porque Ele é O Princípio (Alfa) e O Fim (Ômega) em Si Mesmo.
Seja feliz e encontre-se.
Ame-se e evolua.
Marco Anconi
mac.anconi@gmail.com