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Balanço da cúpula euro-latino-caribenha
Data : 19/5/2010
Cristina Kirchner buscou diálogo sobre Malvinas com novo premiê britânico.
Uma das consequências que em 1989-91 culminou na vitória de Washington na guerra fria foi uma dupla mudança na América Latina e Caribe (ALC). Em parte, consolidou-se o mercado e foram se extinguindo todas as guerrilhas, mas também a ALC abriu novas portas para não seguir somente sob a grande hegemonia dos EUA. Assim, em 1991 se iniciaram as cúpulas anuais ibero-latinoamericanas, as mesmas que facilitaram a decolagem, em 1999, das cúpulas bianuais entre a União Européia (UE) com a América Latina e Caribe (ALC).
As aproximações entre a UE e a ALC têm resultado que, entre 2000 e 2009 as exportações da primeira região à segunda creseram mais de 10% (de 59 a 66 mil milhões de euros), enquanto as exportações latino-caribenhas à UE se incrementaram em mais de 35% (de 54 a 74 mil milhões de euros).
Em relação a ALC, a UE é o maior investidor estrangeiro e o segundo sócio após os EUA, ainda que a China venha avançando muito. No entanto, somente 6% do comércio externo da UE é destinado a ALC.
O intercâmbio é desigual. A UE envia-lhes produtos altamente manufaturados (medicina ou veículos), enquanto a ALC lhes provêm de matérias primas (como soja, café, bananas ou cobre).
A VI cúpula em Madri ocorre quando esta cidade detém a presidência da UE, mas também quando o euro entra em seu nível mais baixo em quatro anos. Entretanto, a ALC se livrou dos piores estragos da crise financeira que açoita à UE, enquanto esta não tem conseguido atuar como um bloco unido.
Enquanto maior parte dos governantes latino-caribenhos assistem à cúpula (com exceções dos esquerdistas, Castro de Cuba, Chávez da Venezuela, Ortega da Nicarágua e Mujica do Uruguai), muitos europeus não compareceram e enviaram somente ministros e embaixadores. Notáveis ausências foram notadas, como a do novo premiê britânico David Cameron, Angela Merkel e Silvio Berlusconi, sobretudo, porque a Alemanha e Itália são os dois países europeus que mais importam da ALC.
A presidenta argentina Cristina Kirchner foi uma das maiores protagonistas da cúpula. Em sua intervenção pediu ao Reino Unido que inicie negociações sobre as Malvinas (buscando aproveitar a mudança de governo que substituiu um trabalhista que era radical para evitar perder votos nas eleições, por um novo “conservador-liberal” com mandato quinquenal).
Kirchner, igualmente ao presidente boliviano Evo Morais, voltou a reclamar pelo maltrato que sofrem os imigrantes latino-caribenhos, com restrições cada vez maiores à imigração, contrastando com o tratamento que a ALC concede aos cidadãos europeus.
A cúpula de Madri está providenciando a assinatura de Tratados de Livre Comércio bilaterais. Dois destes tratados serão assinados com as duas nações mais pró-ocidentais da Comunidade Andina: Peru e Colômbia.
Outro será o primeiro acordo subscrito entre a UE e um bloco de países latinos: a América Central. Buscou-se transpor obstáculos que se deram no caminho (como a abertura do o mercado centroamericano ao leite em pó subsidiado da UE ou o veto ao golpe hondurenho). Lobo, eleito presidente de Honduras, em um processo condenado por parte da América do Sul, foi vetado de comparecer à cúpula, mas deve participar depois em Madri de uma negociação entre Europa e América Central.
As negociações pendentes um TLC entre a UE e o Mercosul seguem paralisadas, pois países como França, temem uma liberalização que danificaria o protecionismo agropecuário. Enquanto isso, o Brasil segue recebendo um terço de exportações europeias da ALC.
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