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CARNAVAL. FESTA PARA UNS, TRAGÉDIA PARA OUTROS
Data : 18/2/2010
Nas rodovias federais brasileiras, o maior feriado nacional foi marcado pela violência.
Estimulados pelo bom momento da economia, que aquece o turismo interno e aumenta a
circulação de cargas, e pelo tempo estável na maior parte do país, brasileiros lotaram as
estradas e o saldo de seis dias de operação da Polícia Rodoviária Federal foi proporcional
à movimentação de veículos.

Apesar do cerco montado pela PRF nos principais corredores rodoviários, entre 0h
de sexta-feira (12/02) e meia-noite da Quarta-feira de Cinzas (17/02), foram computados 3.233 acidentes (+13%), 1.912 feridos (+7%) e 143 mortes (+13%) em 66 mil quilômetros de estradas federais. O dia mais violento do período foi o sábado, quando 37 pessoas morreram em desastres nas BRs.
Em relação ao Carnaval de 2009, as principais rodovias do país registraram
crescimento do fluxo de veículos durante o feriadão. Na Rodovia Washington Luís (BR-
040), que liga Rio de Janeiro a Juiz de Fora, a movimentação aumentou 30% ; na Rio –
Santos (BR-101), a quantidade de veículos foi superior em 20%; Na BR-290 (Freeway),
principal acesso às praias do Rio Grande do Sul, os números foram 13% superiores ao
registrado no carnaval passado. Em Santa Catarina, a BR-101 chegou a observar até 100 km de lentidão. Entre Garuva e Sombrio, nos extremos catarinenses, o aumento no
trânsito de veículos foi de 10%. Gigante que cresce – Além da imprudência, os maiores desafios da Polícia Rodoviária Federal em suas operações têm sido o crescimento da frota e o congelamento
de seu efetivo. No Carnaval de 2009, a PRF foi para a pista com 9.200 policiais diante de
uma frota de 54,5 milhões de veículos. Em 2010, o mesmo número de agentes teve pela
frente 59,3 milhões de carros, ônibus, caminhões e motocicletas.
Como se não bastasse o inchaço da frota, a Polícia Rodoviária Federal enfrenta
também com o crescimento da malha viária sob sua circunscrição. Em 2009, o total de
quilômetros fiscalizados aumentou de 62 mil para 66 mil. Quem mais contribuiu para a
alta foi a PRF do Paraná, que retomou, por determinação da Justiça, a fiscalização de
cerca de 2.400 quilômetros de rodovias antes sob responsabilidade da PM. Das nove
retomados.
Também em fevereiro de 2009, o Brasil e o mundo viviam as incertezas da crise
econômica mundial, com o PIB nacional retraído em -2,3%. Já em dezembro, o Produto
Interno Bruto brasileiro saltou para +2,9% e o mercado registrou queda do índice de
inadimplência de pessoas físicas, de acordo com levantamentos preliminares do Banco
Central.
O setor automobilístico brasileiro prosseguiu quebrando recordes em 2009 e
garantiu um dos melhores anos para o segmento. De acordo com relatórios da ANFAVEA
(Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), foram licenciados em
12 meses mais de 3,1 milhões de veículos novos. Dados do DENATRAN (Departamento
Nacional de Trânsito) apontam, até dezembro, crescimento de 8,9% da frota circulante.
Os estímulos à economia também provocaram aumento no fluxo de veículos, com mais
cargas sendo transportadas pelas rodovias e mais turistas buscando destinos nacionais.
Cerco contra o infrator – A estrutura de fiscalização montada pela PRF produziu
resultados muito acima das metas estabelecidas para o período. No feriado mais etílico
do ano, o combate ao consumo de álcool esteve no centro das atenções dos policiais. A
quantidade de bafômetros empregados nas estradas foi a grande diferença do Carnaval
de 2010 para o de 2009. Enquanto no ano passado, a Polícia Rodoviária Federal contava
com 700 aparelhos, neste ano o bloco do etilômetro veio com dois mil equipamentos. Nos
seis dias de operação, foram realizados 46.226 testes de embriaguez, resultado 156%
superior à meta estabelecida na Ordem de Serviço, enviada às unidades da PRF em todo
país.
O combate à mistura álcool e direção permitiu que a Polícia Rodoviária Federal
interrompesse a viagem de 1.235 motoristas que dirigiam sob efeito de bebidas
alcoólicas. Destes, 593 condutores (48%) foram presos em flagrante e encaminhados à
Polícia Civil.
As abordagens também superaram o planejado. Ao todo, 242 mil veículos foram
checados nos postos da PRF, média de uma fiscalização a cada dois segundos. A
imprudência dos motoristas, habitual vilã das estradas, ficou comprovada no número de
autuações de trânsito. Nos seis dias, os agentes de plantão aplicaram 119.614 multas,
53% delas por excesso de velocidade.
Tempo bom, pé na tábua – Como previsto no boletim meteorológico preparado
pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) especialmente para a Polícia Rodoviária
Federal, o tempo bom predominou em praticamente todas as regiões do Brasil. O único
acidente grave provocado por chuva aconteceu na Quarta-Feira de Cinzas, no Mato
Grosso do Sul, quando o condutor de um automóvel com cinco pessoas a bordo perdeu o
controle na BR-163, em Coxim, e colidiu frontalmente com uma carreta. Três pessoas
morreram no local.
Irresponsabilidade diluida – Um grave flagrante de irresponsabilidade foi
registrado já no primeiro dia de operação em São Paulo. Por volta do meio-dia, um
motorista embriagado atropelou uma grávida de sete meses, enquanto trafegava no
acostamento da rodovia Fernão Dias (Br-381). O homem tentou fugir, mas acabou preso
pelos agentes da PRF no bairro do Tremembé. A mulher foi socorrida e levada para o
Hospital São Luiz Gonzaga com escoriações.
acidente que provocou mais vítimas foi registrado em Santa Catarina, na manhã de
sábado, quando um automóvel bateu de frente numa carreta na BR-282, em Descanso, e
deixou quatro mortos e uma pessoa gravemente ferida. Das 26 vítimas fatais registradas
em Minas Gerais, cinco delas foram em 2 acidentes e 21, em ocorrências distintas. No
Rio Grande do Sul, a PRF atendeu um desastre fora do comum: a colisão frontal entre
duas motocicletas, que deixou dois mortos em Santa Vitória do Palmar, região sul do
estado.
No ranking dos números absolutos, Minas Gerais é novamente o estado líder, com
493 acidentes, 26 mortes e 378 feridos. Outros estados com mais mortes são Rio de
Janeiro e Bahia (11), Santa Catarina e Rio Grande do Sul (10), Paraná (09) e Goiás (08).
Em relação aos acidentes, Santa Catarina aparece em segundo com 442 ocorrências,
seguido por Paraná (361), Rio de Janeiro (302) e Rio Grande do Sul (276). Os outros
estados com mais pessoas feridas foram Santa Catarina (261), Paraná (180), Rio Grande
do Sul (135) e Rio de Janeiro (120).