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SENADOR DE RONDÔNIA USA SERVIDORES EM SUA CAMPANHA; BRECHA EM LEI PERMITE MULTIPLICAÇÃO DE CARGOS
Data : 30/7/2010
Assessores que deveriam estar em Brasília são enviados a Estados para trabalhar na reeleição de parlamentares.

Uma tropa de cabos eleitorais pagos pelo Senado está trabalhando na campanha dos senadores candidatos nos Estados. São assessores que, oficialmente, deveriam apenas cumprir expediente nos gabinetes, mas estão nas ruas pedindo voto, coordenando e ajudando na corrida eleitoral dos parlamentares.

Levantamento feito pelo jornal O Estado de São Paulo identificou uma intensa transferência de servidores registrados em Brasília para os redutos eleitorais dos senadores e a reportagem flagrou assessores que recebem salário do Senado atuando na campanha.
A reportagem constatou que, dos 53 senadores que disputam as eleições, 33 aumentaram o quadro de servidores de confiança entre julho de 2009 e julho de 2010 e transferiram a maioria para os Estados.
Quem não aumentou adotou a segunda manobra e tirou seus funcionários de Brasília.
Só nos últimos 23 dias, desde o início oficial da campanha, 53 assessores foram realocados, segundo dados do sistema interno de Recursos Humanos, para os "escritórios de apoio" dos senadores, entre eles os dos candidatos Renan Calheiros (PMDB-AL), Marcelo Crivella (PRB-RJ), Heráclito Fortes (DEM-PI), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Paulo Paim (PT-RS).
Desde início de fevereiro, foram cerca de 175, uma média de uma transferência por dia.
Os senadores aproveitaram a calmaria no Congresso - serão realizadas apenas duas semanas de votações até as eleições de outubro - para esvaziar seus gabinetes em Brasília. Hoje, há cerca de 1,1 mil assessores espalhados pelo País recebendo salários do Senado sem nenhum tipo de fiscalização por perto que os impeça de atuar como cabos eleitorais.
Tuma e Mercadante têm funcionários em SP
Os dois senadores por São Paulo que disputam a eleição deste ano mantêm assessores pagos pelo Senado em escritórios políticos na capital paulista. Romeu Tuma (PTB-SP), candidato à reeleição, tem 15 assessores em uma casa na Vila Mariana. Aloizio Mercadante, que disputa o governo do Estado pelo PT, mantém 16 em um escritório na Vila Madalena.
Assessor contradiz Crivella sobre papel na campanha
O senador e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivella (PRB-RJ) utiliza estrutura de seu gabinete na campanha à reeleição. Seu assessor de imprensa, o jornalista Ruy Sampaio Lima, é um dos 20 funcionários do Senado lotados no escritório de apoio no Rio. Ontem, Lima participou de eventos em Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Indagado sobre a participação de um assessor que é pago pelo Senado em sua campanha, Crivella afirmou: "Ele só faz expediente na parte da manhã. Mas está aqui fazendo hora extra como freelancer para outras organizações."
Regra permite multiplicação de cargos
Uma regra do Senado, espécie de "milagre da multiplicação", permite aos senadores aumentar o quadro de assessores a qualquer momento, inclusive em ano de campanha eleitoral. Uma vaga de R$ 9,9 mil, por exemplo, pode ser dividida em até cinco pessoas com salários menores.
O senador Valdir Raupp (PMDB-RO), candidato à reeleição, aproveitou a brecha para aumentar o número de funcionários no gabinete em 50%. De 36 servidores em julho de 2009, passou para 53 em 2010, 32 deles estão apenas em Rondônia.
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