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Marechal Cândido Mariano Rondon: um legado de força e honra

Data : 18/1/2010

   

Há 52 anos, no dia 19 de janeiro de 1952, morria no Rio de Janeiro, aos 92 anos de idade, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Mato-grossense de Mimoso, um distrito de Santo Antonio do Leverger. Filho e neto de índios guaná, bororó e terena, Rondon ficou órfão muito cedo e foi criado por um tio. Quando este morreu, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar.

Além de o estudo ser gratuito, os alunos da Escola Militar, desde que assentassem praça, recebiam pagamento mensal como se fossem sargentos. Rondon precisava desesperadamente desses dois benefícios.  Alistou-se então no 2º. Regimento de Artilharia a Cavalo – e a partir de então, deixou o anonimato e entrou para a História.

Rondon, um político e pacifista, sempre

Ainda estudante, participou dos movimentos de abolição da escravatura e da implantação do regime republicano. Depois disso, já com a Escola Militar concluída, voltou para seu estado natal, foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso e designado para a comissão de construção da linha telegráfica que ligaria o Mato Grosso e Goiás ao sul do Brasil. E havia uma razão imperiosa para isso: esses dois estados estavam isolados dos grandes centros, eram área de fronteira e, portanto, sujeitas a invasões de outros países.


E Rondon cumpriu sua missão de modo brilhante, abrindo caminhos, desbravando terras, lançando linhas telegráficas, mapeando e estabelecendo relações cordiais com as tribos que encontrava pelo caminho. Foi assim que contatou os bororós, nhambiquaras, Urupá, jaru, karipuna, ariqueme, boca negra, pacaás novos, macuporé, guaraya e macurape. 


Alguns feitos marcaram sobremodo a vida de Rondon:


Entre 1892 e 1898 instalou as linhas telegráficas do Mato Grosso a Goiás, ligando Cuiabá ao Araguaia. Construiu também uma estrada ligando Cuiabá ao Estado de Goiás;
Entre 1900 e 1906 dirigiu a implantação de mais uma linha telegráfica, desta vez entre Cuiabá e Corumbá, chegando até as fronteiras do Paraguai de da Bolívia;
 

E foi em 1906, nessas entradas pelo interior do país, exatamente para implantar as linhas do telégrafo, que descobriu as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia história de nossa Rondônia.
 

Um ano depois, já no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que iria implantar a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira. Junto com a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, a linha do telégrafo iria integrar o então território “ao Brasil lá de baixo”.
 
 
 
 

Foi nesse período, mais exatamente em 1913, que um fato marcou Rondon definitivamente. Atingido por uma flecha envenenada, disparada por um guerreiro nhambiquara, Rondon só não caiu ferido de morte porque a ponta da flecha perdeu força e quebrou, ao atingir a correia de couro grosso do fuzil que estava passada transversalmente sobre seu peito. 


Mesmo caído ordenou a seus homens que não revidassem e batessem em retirada, silenciosamente, para não assustar os silvícolas. Esse ato era a confirmação do lema que ele havia adotado para sua vida: morrer se preciso for. Matar, nunca!


Um ano depois desse episódio, ainda chefiando a comissão de implantação das linhas telegráficas no então território do Guaporé, havia implantado 372 quilômetros de linhas e construídas cinco estações: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (depois Vila de Rondônia e atual Ji-Paraná), Jaru e Ariquemes. Um detalhe: a rodovia BR 364 que liga Rondônia ao centro sul do país seguiu as trilha e picadas abertas por Rondon, para a implantação das linhas do telegrafo.


Em 1915 inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira. Missão cumprida. E Rondônia jamais seria a mesma. Seria melhor.
 

Autor : Assessoria   Fonte : Assessoria
COMENTÁRIOS ENVIADOS PELOS INTERNAUTAS
Nome: george duarte ribeiro

Comentário : Segue uma belíssima homenagem do nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, ao grande pacifista e humanista que foi o Mal. Rondon: Pranto Geral dos Índios Carlos Drummond de Andrade Chamar-te Maíra Dyuna Criador seria mentir pois os seres e as coisas respiravam antes de ti mas tão desfolhados em seu abandono que melhor fôra não existissem As nações erravam em fuga e terror Vieste e nos encontraste Eras calmo pequeno determinado Teu gesto paralisou o medo tua voz nos consolou, era irmã Protegidos do teu braço nos sentimos. O akangatar mais púrpura e sol te cingiria mais quiseste apenas nossa fidelidade. Eras um dos nossos voltando às origens e trazias na mão o fio que fala e o foste estendendo até o maior segredo da mata A piranha a cobra a queixada a maleita não te travavam o passo militar e suave nossas brigas eram separadas e nossos campos de mandioca marcados pelo sinal da paz E dos que se assustavam pendia o punho fascinado pela força de teu bem-querer Ó Rondon, trazias contigo o sentimento da terra. Uma terra sempre furtada pelos que vêem de longe e não sabem possuí-la terra cada vez menor onde o céu se esvazia da caça e o rio é memória de peixes espavoridos pela dinamite terra molhada de sangue e de cinza estercada de lágrimas e lues em que o seringueiro o castanheiro o garimpeiro o bugreiro colonial e moderno Celebram festins de extermínio Não nos deixaste sós quando te foste Ficou a lembrança, rã pulando n’água do Rio da Dúvida: voltarias? Amigos que nos despachastes contavam de ti sem luz antigo, entre pressas e erros, guardando em ti, no teu amor tornado velho o que não pode o tempo esfarinhar e quanto nossa pena te doía Afinal já regressas. É janeiro tempo de milho verde. Uma andorinha um broto de buriti nos anunciam tua volta completa e sem palavra A coisa amarga Girirebboy circula nosso peito e Karori a libélula pousando no silêncio de velhos e de novos é como o fim de todo movimento A manada dos rios emudece Um apagar de rastros um sossego de errantes falas saudosas, uma paz coroada de folhas nos roça e te beijamos como se beija a nuvem na tardinha que vai dormir no rio ensangüentado Agora dormes um dormir tão sereno que dormimos nas pregas de teu sono Os que restam da glória velha feiticeiros oleiros cantores bailarinos estáticos debruçam-se em teu ombro ron don ron don repouso de felinos toques lentos de sinos na cidade murmurando Rondon Amigo e pai sorrindo na amplidão. Mal. Cândido Mariano da Silva Rondon, bisneto de índios, nasceu em 1865 em Mimoso, MT. Integrante da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas, construiu quilômetros e quilômetros de linhas, desbravando vastas regiões inexploradas do Centro-oeste e na Amazônia, fazendo reconhecimento geográfico e levantamento cartográfico, descobrindo inúmeros rios e demarcando definitivamente as fronteiras brasileiras. Morreu em 1958, aos 93 anos de idade.

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